domingo, 27 de janeiro de 2008

Acerca das Rotas…

Ao ler as informações acerca do produto turístico Touring Cultural e Paisagístico disponibilizadas pelo Turismo de Portugal, IP, encontrei o que se considera ser os aspectos e componentes chaves de uma rota:Conceito: A rota tem de ter um nome que traduza a essência da experiência que oferece. Nome que deverá ser sugestivo, atractivo e facilmente compreensível por todos;Elementos estruturais:Necessita de ter um ponto de partida e ponto de chegada que proporcione uma meta física e emocional aos viajantes e que seja uma força motivadora. Entre estes dois pontos deverão existir elementos variados e combinados entre si, constituindo o corpo da rota (cidades, povoações, sítios de interesse paisagístico, monumentos, etc.).É essencial a existência de vias de acesso entre os componentes das rotas assim como é indispensável a sua sinalização e uma rede de pontos de serviço de apoio ao viajante.A rota deverá também disponibilizar itinerários dentro da rota e especificar o tempo e o trajecto.Gestão:Para uma gestão eficiente a rota é necessita de uma Comissão de gestão que estabelece quais os deveres, direitos e obrigações dos membros. Para o seu bom funcionamento é indispensável a coordenação e cooperação entre os membros da rede, a definição dos padrões de qualidade para os componentes da rota e que se faça uma avaliação sistemática de desempenho da rota.Para mais informações podem consultar http://www.turismodeportugal.pt/Portugu%C3%AAs/AreasActividade/produtosedestinos/Pages/TouringCulturalePaisagístico.aspx

Touring


As rotas e os circuitos são a essência do produto turístico Touring Cultural e Paisagístico. Este é um dos produtos considerados, pelo Governo português, como estratégicos para o desenvolvimento do turismo no nosso país.
Pela análise de mercado concluíram ser um produto turístico em crescimento, ou seja, o número de viagens que têm o touring como motivação principal é cada vez maior, principalmente das realizadas por turistas europeus.
A Europa é a principal região emissora e receptora de turistas cujo principal interesse consiste em realizar percursos em tours, rotas ou circuitos de diferente extensão e duração, seja de forma independente ou organizada.
Portugal, como país europeu, tem a oportunidade de beneficiar da proximidade com os principais mercados emissores que, actualmente, são a Itália e a França.
O Touring atrai, também, turistas que viajam com outras motivações, como por exemplo turistas de "sol e mar" que procuram as rotas para conhecer melhor os territórios ou regiões próximas das praias.
Os territórios que forneçam rotas como produtos turísticos poderão beneficiar, não só dos seus contributos directos (gastos monetários dos turistas em alojamento, restauração e atracções turísticas), mas também da preservação dos recursos culturais e paisagísticos (indispensáveis para a criação destes produtos turísticos) e da criação de condições favoráveis para a circulação nos territórios.
Por todos estes motivos o Touring é, sem dúvida, um produto turístico a implementar e desenvolver na nossa região, o Alentejo!

Não Concordam?...

Alentejo


Nas linhas de orientação definidas para o desenvolvimento do Touring cultural e paisagístico (produto baseado em rotas e circuitos) são definidas as linhas e actuação para a região do Alentejo. Considera-se prioritário o desenvolvimento e a melhoria das condições do uso turístico das rotas já existentes (Rota do Fresco, Rota dos Vinhos e Rota dos Sabores) e propõe-se a elaboração de uma rota temática arqueológica.Não posso deixar de concordar com o facto de se achar necessária a melhoraria da articulação entre estas rotas já existentes, a melhoraria das condições das estradas e vias secundárias, assim como a criação de mais estruturas de apoio, nomeadamente, de sinalização e difusão das rotas.Sugerem a criação de mapas de informação orientativa e interpretativa e a sua disponibilização nos aeroportos, rent-a-cars, alojamentos, estações de serviço e postos de informação turística.

Visitantes

Quem procura rotas procura, fundamentalmente, descobrir e conhecer o território através da paisagem, povoações e cidades, história e cultura, gentes, etc. O valor do território ou destino, reside na singularidade desses elementos.O Alentejo possui alguns elementos passíveis de serem organizados e disponibilizados em rotas turísticas. Um desses elementos é o Vinho e tudo o que lhe diz respeito desde a sua produção até ao seu consumo. Daí a pertinência da Rota dos Vinhos do Alentejo sobre a qual pretendemos debruçar-nos.Até breve com mais informações sobre esta ROTA!!

Sobre as Rotas…

Estão contempladas no Plano Estratégico Nacional do Turismo (PENT) como sendo acções de referência a desenvolver no Alentejo…É só definir uma temática com potencial turístico, recolher informação sobre essa mesma temática e as zonas de influência, definir o itinerário, fazer o mapa, colocar a devida sinalética, editar os respectivos materiais promocionais e escolher uma boa campanha de marketing.Dito assim, até parece fácil! Pois não é, dá uma grande trabalheira, como se diz no Alentejo…A Rota dos Sabores pretende promover o melhor da gastronomia alentejana

Enoturismo


O enoturismo representa um excelente veículo para quem quiser descobrir uma região através do vinho e conhecer todos os seus aspectos culturais e turísticos. As rotas dos vinhos são instrumentos privilegiados de organização e divulgação do enoturismo, permitindo que os visitantes contactem mais facilmente com o mundo rural.Contribuem para a preservação da autenticidade de cada região através da divulgação do seu artesanato, do património paisagístico, arquitectónico, museológico e da gastronomia, contribuindo, assim, para o combate da desertificação humana e de outros constrangimentos de algumas zonas rurais.

O Vinho no Alentejo


Os vestígios arqueológicos, como a descoberta de grainhas de uvas nas ruínas romanas de São Cucufate por exemplo, comprovam a tradição histórica da cultura da vinha na região do Alentejo. Essa cultura sofreu várias vicissitudes, ora se implementava ora se retraíam as áreas cultivadas, chegando-se ao século XIX com vinha disseminada por quase toda a região.
Porém, foi neste mesmo século que a vinha sofreu por toda a Europa profundas provações com doenças como o Oídio, Filoxera e Míldio. Doenças que levaram ao descrédito na produção de vinho por parte de alguns produtores que começaram a conciliar a vinha com as oliveiras.
Em pleno século XX, a definição do Alentejo como região cerealífera, que culminou na "Campanha do Trigo", veio também contribuir para a diminuição da plantação de vinha e consequentemente para a diminuição de produção de vinho nesta região.
Contudo a criação das Adegas Cooperativas, na década de 50, em Borba, Redondo, Portalegre e, mais tarde, Vidigueira, Granja e Reguengos de Monsaraz foi um dos passos importantes para o rejuvenescimento da viticultura alentejana. Com as Adegas Cooperativas os vinhos alentejanos passaram a ser mais cuidados e conhecidos, sendo frequente figurarem nos primeiros lugares dos concursos nacionais de vinho.
Por acção e dinamismo da ATEVA (Associação Técnica dos Viticultores do Alentejo) e posteriormente da CVRA (Comissão Vitivinícola Regional Alentejana), ambas criadas nos anos 80, foram instituídas as primeiras regiões produtoras de VQPRD (Vinho de Qualidade Produzido em Região Determinada).

A Vinha no Alentejo


A área de vinha no Alentejo ronda os 22000 hectares,10% do total desta cultura em Portugal. Encontra-se nos solos mais pobres, em terrenos com declives suaves com excepção da região de Portalegre onde predomina a vinha em encosta.Desde alguns anos que as vinhas alentejanas estão sujeitas a uma prática de protecção integrada, ou seja, foi reduzida a utilização de pesticidas, foram seleccionados os menos tóxicos e racionalizada a sua aplicação.Os valores médios de produção da região variam entre 35 e os 40 hectolitros/hectare. Sendo o limite máximo, definido nos estatutos das zonas vitivinícolas, de 55 hectolitros/hectare para castas de uvas tintas e de 60 hectolitros/hectare para castas de uvas brancas.

Denominação de Origem Controlada e o Vinho Regional


O instituto da Vinha e do Vinho foi criado em 1986, substituindo a Junta Nacional do Vinho, pela necessidade de se criar um organismo mais adaptado às estruturas impostas pela nova política de mercado decorrente da adesão de Portugal à Comunidade Europeia. Surge então o conceito de Denominação de Origem e de Vinho Regional.A Denominação de Origem Controlada é a designação atribuída a vinhos oriundos de uma região geograficamente delimitada e sujeitos a um conjunto de regras específicas, tais como as castas utilizadas, o grau alcoólico, a produtividade, etc. No caso do Alentejo, este está dividido em oito sub-regiões: Borba, Évora, Granja-Amareleja, Moura, Portalegre, Redondo, Reguengos e Vidigueira.Ao vinho produzido fora dessas regiões é atribuída a designação de Vinho Regional Alentejano.

Rota do Mármore

De indiscutível importância sócio económica para esta região, o mármore apresenta-se como uma das indústrias com maior peso no triangulo Estremoz, Borba e Vila Viçosa.
Quem vem do Norte e entra por Estremoz, depressa lhe sente a presença, Não só pelas pedreiras que se adivinham logo na estrada, mas pelo uso que as gentes de Estremoz lhe deram, exemplo disso são algumas calçadas que partem do antigo burgo para “Cidade Nova”. Vale a pena parar e visitar, a pé sempre a pé.
Monumentos que pode visitar em Estremoz:
Convento das Maltezas, Pousada Rainha Santa Isabel, Capela da da Rainha Santa Isabel, Casa do Alcaide-Mor, Igreja de Santa Maria de Estremoz e teatro Bernardim Ribeiro.
Seguindo para sul entramos em Borba, localidade que tem o nome bem vincado pela tradição vinícola, contudo, tal como em Estremoz vale a pena visitá-la a pé. Poderá visitar a igreja de Santo António, a Igreja de São Bartolomeu, a Igreja Matriz e os passos do Senhor.
Seguindo mais para sul percorra a estrada que liga Borba a Vila-Viçosa e serpenteia por entre as pedreiras e as indústrias que lhe estão associadas. Ao chegar dificilmente poderá ficar indiferente à imponência do paço dos Duques de Bragança.

“Na sede do concelho abundam antigas igrejas, capelas, Ermidas e Conventos com destaque para a Igreja de Nossa Senhora da Conceição, ao qual se desconhece a época exacta da sua fundação, que alguns autores atribuem ao rei D. Fernando e outros ao primeiro donatário da vila, o condestável D. Nuno Álvares Pereira, aquém, igualmente, segundo a tradição, se diz ter oferecido a imagem da Virgem Padroeira, adquirida em Inglaterra. Desaparecido esse primeiro templete gótico no reinado de D. Sebastião, pela sua pequenez ou ruína, as obras do actual começaram no ano 1569,sob patrocínio da Ordem de Avis, de que era uma comenda.(...)
A Reserva Natural das pedreiras de mármore, completam o magnífico cenário do concelho, tendo os visitantes oportunidade de usufruir uma viagem gira em torno destas pedreiras de mármore e da vila que tem um dos patrimónios mais bonitos de Portugal. No Concelho de Vila Viçosa mais propriamente nas freguesias de Pardais e Bencatel é-nos possível olhar para o horizonte e encontrar torres de ferro, ou seja, gruas que servem para içar a pedra dos poços. Este é o aspecto à primeira vista de um campo de pedreiras. Um olhar mais aprofundado permite-nos ainda observar o grande e profundo poço que se assemelha a uma cratera aberta na terra. Trata-se da obra do homem que todos os dias a par e passo vai tornando mais fundo o dito poço, recortando-o às fatias e içando através da grua os chamados blocos de mármores.(...)
Consciente do importantíssimo património natural que o mármore representa nesta região,a Câmara Municipal de Vila Viçosa, deu corpo a uma antiga aspiração com a implementação e inauguração do Museu do Mármore, no ano 2000.”

In: Sitio da Câmara Municipal de Vila Viçosa

Comer é um acto de cultura


Francisco Ramos (2006) considera que a alimentação é como as lendas, transmite-se de geração em geração e pertence ao património colectivo. Ainda segundo este autor, comer, sendo um acto de necessidade, é, acima de tudo, um acto de comunicação.Claude Lévi – Strauss referido por Ramos (2006) afirma que os alimentos servem para pensar, antes de serem bons para consumir.Segundo a EcoMediterrânea (1988) a oferta turística deve ser o resultado natural dos recursos locais, sendo, sem dúvida, a gastronomia, um desses recursos.
Não é pois, por acaso que a Gastronomia é um dos 10 produtos turísticos considerados estratégicos pelo PENT”.

A Rota dos Sabores e o desenvolvimento regional

A valorização dos produtos tradicionais não determina por si mesma o desenvolvimento local. Para desencadear esse tipo de desenvolvimento é necessário conceber e implementar ferramentas turísticas que, pelos seus efeitos multiplicadores, tragam dividendos sócio -económicos às regiões nas quais se inserem. No entanto, esta componente turística deve ser fundamentada nas características da população local.Os produtos tradicionais portugueses constituem um bem cultural, o qual pode ser usufruído tanto pela população local como pelo visitante. É a autenticidade dos produtos locais que atrai o visitante.A valorização dos produtos, desde que devidamente associada à componente turística e com o devido respeito pelas populações locais, poderá ser um motor de desenvolvimento sustentável. A Rota dos Sabores é disso exemplo.Foi criado um conjunto de serviços complementares que servem de apoio e permitem aos visitantes chegar mais facilmente aos produtos. Estes podem, não só ver os produtos, mas também os modos de produção, e as suas especificidades.Para além de dar a conhecer os produtos, oferece ainda um programa de visitas guiadas às explorações agrícolas, as quais poderão incluir degustações, participação activa nos trabalhos de produção e ainda, algumas vezes, alojamento e refeições.O visitante usufrui de um pacote de actividades devidamente estruturado, que proporciona informações complementares, o que permite atribuir valor acrescentado ao produto turístico.No entanto, é preciso ter em conta que o turismo deve estar ao serviço dos produtos tradicionais e não ao contrário. Este deve ser um ponto de chegada e não um ponto de partida, pois, segundo Dogan (1991) o turismo pode levar ao declínio das populações e à dependência externa, podendo ter um efeito perverso no desenvolvimento local.É, por isso, importante estar atento e não deixar perder a identidade e autenticidade das culturas locais e não transformar os anfitriões em meros actores e os locais visitados em cenários que nada têm que ver com a realidade da região.

Sobre as Rotas dos Sabores

PROMOTORESOs Agrupamentos de Produtores Natur-al-Carnes e Apafna e a Câmara Municipal de Portalegre.Estas entidades são exemplo de um trabalho reconhecido ao nível do sistema de protecção das Denominações de Origem e das Indicações Geográficas dos Produtos tradicionais do Norte Alentejano.ENTIDADE GESTORAA Agência de Desenvolvimento Regional do Alentejo, S.A. (ADRAL) é o resultado de uma parceria alargada, composta por um conjunto de entidades públicas e privadas das mais diversas áreas de actividade. Uma das principais tarefas da ADRAL, S. A. é a cooperação com todos os actores locais. A ADRAL, S.A. é uma estrutura regional onde participam actualmente 68 parceiros/accionistas, públicos e privados, com experiência relevante em todos os sectores de actividade económica, empresarial, social, de investigação e desenvolvimento, espacialmente distribuídos e profundos conhecedores da realidade regional. A sua missão consiste em contribuir para a promoção, divulgação e desenvolvimento da região Alentejo.Sónia Mendes é a coordenadora do Pólo do Norte Alentejano, que tem a sua sede nas instalações da Associação de Municípios do Norte Alentejano, em Portalegre.LOGOTIPOÉ um prato de barro, o qual, na minha opinião é uma escolha perfeita, pois além de ter um aspecto gráfico muito interessante, é um objecto usado na gastronomia e ao mesmo tempo uma peça de artesanato tradicional do Alentejo.

Rota dos Sabores: Objectivos


A Rota dos Sabores tem por objectivo a implementação de uma rota de valorização dos produtos de qualidade com nome protegido, criando uma alternativa de promoção destes produtos com um carácter inovador em relação á promoção a que se recorre usualmente em Portugal.Esta nova forma de promoção e dinamização dos produtos tradicionais com nome protegido consiste na união de um conjunto de sinergias envolvendo os actores locais (produtores, agrupamentos de produtores, autarquias locais, postos de turismo, etc.) com o intuito de promover um circuito turístico que leve o visitante ao local onde poderá obter toda a informação sobre um determinado produto, nomeadamente os locais onde o poderá adquirir, chegando inclusivamente a poder visitar, em grupos organizados, determinada unidade de produção, para que assim se possa sentir envolvido na verdadeira realidade do que é um produto tradicional com nome protegido e todo o "saber fazer" que o mesmo encerra. (Informação retirada do web– site da Rota dos Sabores).

Rota dos Sabores: Localidades Aderentes


A Rota dos Sabores abrange os distritos de Portalegre e Évora. Os Concelhos aderentes são:Marvão, Castelo de Vide, Portalegre, Crato, Ponte de Sor, Gavião, Nisa, Alter do Chão, Avis, Fronteira, Monforte, Arronches, Sousel, Estremoz, Elvas, Campo Maior, Borba, Vila Viçosa, Alandroal, Redondo, Évora, Reguengos de Monsaraz e Mourão.A Rota dos Sabores pode ser visitada através do web-site: http://www.rotasdossabores.com/ ou através dos Postos de Turismo Municipais.

A Rota dos Sabores e os produtos com nome protegido

No Norte Alentejo, os queijos, enchidos, ensacados, carne de ovino, frutos frescos, azeite e azeitonas, todos têm em comum o direito a usar um nome próprio, que os qualifica, que os distingue de outros e comprova a sua origem, reputação, genuinidade, tradicionalidade ou modo de produção particular.Estes produtos correspondem a todas as exigências actuais feitas pelos consumidores – têm sabor, têm cor, têm cheiro, têm origem conhecida e garantida, relembram memórias e dão saúde ao consumidor.Os produtos tradicionais com nome protegido englobam um leque de várias dezenas de produtos portugueses, aos quais aparecem associadas as Denominações de Origem Protegida (DOP), Indicações Geográficas Protegidas (IGP) e Especialidades Tradicionais Garantidas (ETG), Agricultura Biológica (AB) e Protecção Integrada (IP).DOP - Denominação de Origem Protegida, é um nome geográfico usado para designar um produto cujas características decorrem dos factores naturais e humanos existentes numa determinada área geográfica e cuja produção, transformação e elaboração ocorrem numa região delimitada.IGP - Indicação Geográfica Protegida é um nome geográfico usado para designar um produto que possui determinada qualidade, reputação ou outras características que podem ser atribuídas à origem geográfica e produção, transformação ou elaboração ocorrem na mesma área geográfica.ETG – Especialidade Tradicional Garantida, é uma forma de reconhecer que um determinado produto tem uma especificidade própria e é obtido através de uma receita ou de um modo de produção tradicionais.A agricultura biológica distingue-se de outros sistemas de exploração agrícola em diversos aspectos. É dada preferência aos recursos renováveis e à reciclagem, devolvendo-se aos solos os nutrientes presentes nos resíduos.PRODI – Produção Integrada, é um modo de produção agrícola que tem como objectivo contribuir para o equilíbrio dos ecossistemas agrários, através da limitação natural dos organismos nocivos e de outros meios de luta apropriados, a fim de impedir que os inimigos das culturas ultrapassem a intensidade de ataque que acarretem significativos prejuízos económicos.Todos estes produtos têm um Agrupamento Gestor e uma Entidade Certificadora.

A Promoção da Rota dos Sabores…


A estratégia passa por explicar aos consumidores quais são os produtos, o que representam para a economia e para a sua qualidade de vida e como distinguirem os símbolos e marcas de certificação:· Realizar acções de divulgação bem preparadas e sustentadas a nível técnico e humano· Desenvolver um conjunto de políticas comerciais e de marketing que permitam a valorização da Rota, segundo uma lógica de diferenciação e posicionamento de mercado pela qualidade.

Rota dos Sabores: Sabe como se faz um painho de Portalegre IGP?

“A carne e as gorduras são cortadas em separado em pedaços de 1 a 2 cm, em percentagens mais ou menos fixas. Misturam-se, de seguida, em recipiente próprio, as carnes, as gorduras, os condimentos e a água. Esta massa fica depois em repouso durante dois a três dias num local com temperatura não superior a 10º C e humidade próxima dos 80/90%. Procede-se, depois, ao enchimento manual das tripas, tendo o cuidado de deixar o conteúdo bem apertado e atado, sem entrada de ar, picando-se, de vez em quando, a tripa com uma agulha. Em seguida, tem lugar a fumagem, a qual deve ser feita com lenha bem seca de madeira de azinho e/ou sobro, durante um período de 10 a 30 dias. O produto final deve ser conservado, armazenado e comercializado a uma temperatura entre 5º e 15ºC. Pode também conservar-se em recipientes adequados, utilizando como líquido de cobertura o azeite da região.”Segundo a Eng.ª Ana Soeiro (2004) "A melhor protecção possível em relação aos produtos tradicionais consiste no factor conhecimento: quando o consumidor, de facto, conhece e reconhece os produtos com DOP e com IGP, rejeita as imitações e protege-os da melhor maneira possível - consumindo-os."

Legislação Comunitária sobre a Rota dos Sabores

Para saber mais sobre Legislação Comunitária de protecção e valorização dos produtos agro-alimentares, consulte:
- Regulamento (CE) n.o 510/2006 do Conselho, de 20 de Março de 2006, relativo à protecção das indicações geográficas e denominações de origem dos produtos agrícolas e dos géneros alimentícios.
- Regulamento (CE) n.o 1898/2006 da Comissão, de 14 de Dezembro de 2006, que estabelece regras de execução do Regulamento (CE) n.o 510/2006 do Conselho relativo à protecção das indicações geográficas e denominações de origem dos produtos agrícolas e dos géneros alimentícios.
- Regulamento (CE) n.o 509/2006 do Conselho, de 20 de Março de 2006, relativo às especialidades tradicionais garantidas dos produtos agrícolas e dos géneros alimentícios.
- Regulamento (CE) n.o 1216/2007 da Comissão, de 18 de Outubro de 2007, que estabelece regras de execução do Regulamento (CE) n.o 509/2006 do Conselho relativo às especialidades tradicionais garantidas dos produtos agrícolas e dos géneros alimentícios.

Rota do Fresco








Fotos: www.amcal.pt

Foi a partir de uma iniciativa da AMCAL (Associação dos Municípios do Alentejo Central, constituída pelos municípios d e Alvito, Cuba, Portel, Vidigueira e Viana), que foi criada esta Rota, com o propósito de dar a conhecer a pintura mural portuguesa, que até então havia sido deixada ao esquecimento.

Sendo o Alentejo um local privilegiado deste tipo de pintura, como também sendo nesta região que se encontra a mais antiga do país, que se justifica plenamente a criação desta Rota. Esta pintura mural, frequentemente denominada de “fresco”, encontra-se nesta zona em grande quantidade, variedade e também qualidade. Um ponto positivo desta rota tem sido a sensibilização, que tem como objectivo a preservação e o restauro desta forma de arte.

Esta rota interconcelhia, que passa por quatro concelhos da AMCAL, originou outras cinco rotas, cada uma específica de cada um dos concelhos desta associação. Quer cada uma destas rotas concelhias, quer a própria Rota Interconcelhia, consistem na criação de visitas a capelas, ermidas e igrejas, cujas pinturas murais mereçam ser vistas.

Um aspecto interessante nestas rotas, é que permitem, além do seu tema principal, conhecer muita da cultura alentejana.

Link Associado: www.amcal.pt

ROTA DO CONTRABANDO



Os velhos trilhos da raia do Alentejo com a Extremadura Espanhola que os homens e mulheres palmilhavam, a coberto da noite, para vender café e atoalhados ou comprar toucinho e bacalhau, ainda estão bem "vivos" na nossa memória colectiva.

Na calada da noite, apenas iluminados pela lua e pelas estrelas, os contrabandistas arriscavam as suas vidas por veredas e ribeiros ou na travessia do Guadiana, para garantir o sustento dos seus. Por esses caminhos contrabandeava-se café, moeda de troca para trazer para o lado de cá os tecidos e objectos de uso pessoal.

As dificuldades económicas, a escassez de produtos e de trabalho e a miragem de “lucro fácil” contribuíram de forma decisiva para que durante décadas cidadãos portugueses e
espanhóis se tenham dedicado a uma actividade de génese ilegal – o Contrabando.

Mas o contrabando não pode ser encarado apenas como actividade económica ilegal. O contrabando foi também meio de aproximação de povos, construtor de solidariedades e elo de ligação entre populações.

Hoje, com a abertura de fronteiras e mercados, o contrabando é apenas a recordação de encontros e desencontros. Todavia muitos dos caminhos utilizados nesta actividade, bem como as localidades que se desenvolveram com essa “prática comercial” são repositório de memórias, saberes e lealdades que podem e devem ser “descobertos”.

Em diferentes pontos do Alentejo, de Nisa a Barrancos, estão assinalados esses percursos e aproveitados para iniciativas visando o reforço das relações entre as populações de um e outro lado da Raia.

Os percursos pedonais, as caminhadas, os passeios utilizando os mais díspares meios de transporte – bicicleta, motos, burro – são já uma prática que envolve Nisa e Cedillo, Arronches e La Codosera, S. Julião e Albuquerque, Campo Maior e Badajoz, Barrancos e Encinasola, etc… etc…

Importa ir mais longe. A criação de uma Rota Turística, envolvendo os habitantes das aldeias fronteiriças e tendo ex-contrabandistas e ex-guardas fiscais a contarem as peripécias à volta do contrabando, potenciará a atracção de turistas, permitirá quer a dinamização da venda dos produtos endógenos, quer a divulgação das riquezas paisagísticas e monumentais da região.

Esta rota permitirá o conhecimento de alguns dos mais pitorescos recantos do Norte Alentejano, mostrar a riqueza gastronómica e os vinhos regionais e propiciará o desenvolvimento local e sustentável.

No distrito de Portalegre ela abrangerá os concelhos de Arronches , Campo Maior, Castelo de Vide, Elvas, Marvão, Nisa e Portalegre.


ROTA DO AZEITE



O Azeite é um dos produtos mais antigos e emblemáticos de toda a bacia do Mediterrâneo e em particular de Portugal.
É possível situar a origem da oliveira na Era Terciária, na zona da Ásia Menor, provavelmente na Síria ou Palestina, onde foram descobertos vestígios de instalações de produção de Azeite e fragmentos de vasos datados do início da Idade do Bronze. O seu cultivo remonta a cerca de 3000 anos antes de Cristo, em toda a zona do “Crescente Fértil” e a sua posterior disseminação pela Europa Mediterrânica deve-se em grande parte aos Gregos. Este povo, bem como os Romanos, eram grandes entusiastas da sua produção e pródigos a descobrir-lhe aplicações. Para além da cozinha, utilizavam ainda o Azeite como medicamento, unguento ou bálsamo, perfume, combustível para iluminação, lubrificante de alfaias e impermeabilizante de tecidos.



Num período posterior, a cultura do olival disseminou-se por toda a bacia do Mediterrâneo e, com as expedições marítimas dos Descobrimentos Portugueses e Espanhóis, acabou por chegar às Américas, existindo actualmente em praticamente todo o Mundo onde as condições climatéricas permitem o seu cultivo.
Em Portugal, a cultura da Oliveira perde-se nos tempos mais remotos. Segundo a tradição, os Visigodos já a deviam ter herdado dos Romanos sendo que estes, provavelmente, a tinham encontrado na Península Ibérica. Ao longo do período Árabe, a cultura e produção do Azeite manteve-se e prosperou, vindo a própria palavra que utilizamos hoje do arábico al-zait, que significava "sumo de azeitona".
A importância da cultura da Oliveira em Portugal foi sempre mais vincada na zona Sul, devido à sua tardia reconquista aos Árabes. Com efeito, os primeiros forais que se referem à produção olivícola dizem respeito às províncias portuguesas da Extremadura e do Alentejo.
A importância da cultura da Oliveira em termos económicas apenas se afirma a partir do séc. XIII, representando o fabrico do Azeite um elemento importante no comércio externo em Portugal na altura, contribuindo para tornar esta gordura num produto bastante abundante na Idade Média. Posteriormente, o produto é potenciado pelas ordens religiosas que dedicam especial atenção ao fabrico do Azeite. Este "óleo sagrado" constitui-se de uma importância fundamental na economia do Convento de Santa Cruz de Coimbra, do Mosteiro de Alcobaça, da Ordem dos Freires de Cristo, da Ordem do Templo e da Ordem dos Cavaleiros de Nosso Senhor Jesus Cristo. Resistente à seca, de fácil adaptação aos terrenos pedregosos, a oliveira tornou-se numa presença constante na agricultura portuguesa.
O Azeite sempre esteve presente na vida diária dos portugueses. Desde o tempo das candeias, candelabros e iluminações públicas, passando pela “boa mesa” e terminando nas igrejas, parceiro de velhos cultos. Inspirador da sabedoria popular, imortalizou-se também no ditado: “a verdade é como o Azeite, vem sempre ao de cima”…

Adaptado a partir da informação disponível em http://www.casadoazeite.pt/



Com a extinção ou diminuição das actividades mais arcaicas, o Azeite desempenha hoje um papel importante sobretudo na cozinha e no campo da saúde e da beleza. No entanto novas áreas de aplicação surgem, nas quais o sistema olivícola e o próprio azeite podem desempenhar um papel importante, como é o caso do Turismo.

Com efeito, a cultura da oliveira e a produção do Azeite, constituem por si só um património cultural muito próprio da região mediterrânica, em particular de Portugal e em especial do Alentejo. Nesse sentido, o aproveitamento da actividade e da sua produção no panorama turístico é já hoje uma realidade, sendo uma das melhores formas encontradas de potenciar esse aproveitamento a criação de rotas turísticas que promovam o conhecimento e a divulgação deste património. O contacto com a beleza desta paisagem cultural, a observação e a participação no processo do fabrico do azeite e a sua degustação no contexto gastronómico, têm sido as formas mais frequentemente encontradas para potenciar este produto turístico.


Diversas têm sido as entidades, ao longo do País, que têm tentado promover este produto turístico, sendo possível citar a Rota do Azeite de Trás-os-Montes, promovida pela Associação Comercial e Industrial de Mirandela, a Rota do Azeite em Góis, promovida pela empresa Trans Serrano e a Rota do Azeite do Alentejo, promovida pelo Centro de Estudos e Promoção do Azeite Alentejano (CEPAAL).





No caso particular do Alentejo, destacamos naturalmente a actividade do CEPAAL, ainda que por vezes surjam outras iniciativas, como é o caso da Rota do Azeite, passeio pedestre que o GEDA – Grupo de Ecologia e Desportos de Aventura de Campo Maior, promoveu no Inverno de 2007.
Embora no caso do CEPAAL a rota possa ser efectuada também na zona do Norte Alentejano, a actividade parece estar mais desenvolvida e direccionada para a zona do Baixo Alentejo, sobretudo em Moura, Portel, Vidigueira, Cuba, Alvito, Viana do Alentejo, Ferreira do Alentejo ou Beja.

Nessa perspectiva, torna-se pertinente propor uma rota mais abrangente, que possa englobar uma área geográfica mais vasta, estendendo a Rota do Azeite do Alentejo ao longo do território de modo a criar um produto turístico que permita um maior tempo de permanência.

Na região do Norte Alentejano existem algumas estruturas que poderão ser aproveitadas para uma rota, sejam elas lagares tradicionais, como em Castelo de Vide ou no Porto de Espada, bem como outros mais "industrializados", como em Portalegre ou Sousel. É importante desde logo aproveitar o selo de qualidade proporcionado pela Denominação de Origem Protegida "Azeites do Norte Alentejano".
Existem igualmente outras estruturas a aproveitar, nomeadamente o antigo lagar de Portalegre, agora recuperado para a Manufactura das Tapeçarias e com uma pequena musealização dos antigos elementos do lagar e o Lagar-Museu do Palácio Visconde de Olivã em Campo Maior, que poderiam complementar o Museu do Azeite em Moura.

Desse modo, poderia então ser efectuada uma articulação entre os produtores já identificados para a Rota dos Sabores e aqueles constantes da Rota do Azeite do Alentejo, de modo a promover uma Grande Rota do Azeite Alentejano.