domingo, 27 de janeiro de 2008

A Rota dos Sabores e o desenvolvimento regional

A valorização dos produtos tradicionais não determina por si mesma o desenvolvimento local. Para desencadear esse tipo de desenvolvimento é necessário conceber e implementar ferramentas turísticas que, pelos seus efeitos multiplicadores, tragam dividendos sócio -económicos às regiões nas quais se inserem. No entanto, esta componente turística deve ser fundamentada nas características da população local.Os produtos tradicionais portugueses constituem um bem cultural, o qual pode ser usufruído tanto pela população local como pelo visitante. É a autenticidade dos produtos locais que atrai o visitante.A valorização dos produtos, desde que devidamente associada à componente turística e com o devido respeito pelas populações locais, poderá ser um motor de desenvolvimento sustentável. A Rota dos Sabores é disso exemplo.Foi criado um conjunto de serviços complementares que servem de apoio e permitem aos visitantes chegar mais facilmente aos produtos. Estes podem, não só ver os produtos, mas também os modos de produção, e as suas especificidades.Para além de dar a conhecer os produtos, oferece ainda um programa de visitas guiadas às explorações agrícolas, as quais poderão incluir degustações, participação activa nos trabalhos de produção e ainda, algumas vezes, alojamento e refeições.O visitante usufrui de um pacote de actividades devidamente estruturado, que proporciona informações complementares, o que permite atribuir valor acrescentado ao produto turístico.No entanto, é preciso ter em conta que o turismo deve estar ao serviço dos produtos tradicionais e não ao contrário. Este deve ser um ponto de chegada e não um ponto de partida, pois, segundo Dogan (1991) o turismo pode levar ao declínio das populações e à dependência externa, podendo ter um efeito perverso no desenvolvimento local.É, por isso, importante estar atento e não deixar perder a identidade e autenticidade das culturas locais e não transformar os anfitriões em meros actores e os locais visitados em cenários que nada têm que ver com a realidade da região.

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