domingo, 27 de janeiro de 2008



ROTA DO AZEITE



O Azeite é um dos produtos mais antigos e emblemáticos de toda a bacia do Mediterrâneo e em particular de Portugal.
É possível situar a origem da oliveira na Era Terciária, na zona da Ásia Menor, provavelmente na Síria ou Palestina, onde foram descobertos vestígios de instalações de produção de Azeite e fragmentos de vasos datados do início da Idade do Bronze. O seu cultivo remonta a cerca de 3000 anos antes de Cristo, em toda a zona do “Crescente Fértil” e a sua posterior disseminação pela Europa Mediterrânica deve-se em grande parte aos Gregos. Este povo, bem como os Romanos, eram grandes entusiastas da sua produção e pródigos a descobrir-lhe aplicações. Para além da cozinha, utilizavam ainda o Azeite como medicamento, unguento ou bálsamo, perfume, combustível para iluminação, lubrificante de alfaias e impermeabilizante de tecidos.



Num período posterior, a cultura do olival disseminou-se por toda a bacia do Mediterrâneo e, com as expedições marítimas dos Descobrimentos Portugueses e Espanhóis, acabou por chegar às Américas, existindo actualmente em praticamente todo o Mundo onde as condições climatéricas permitem o seu cultivo.
Em Portugal, a cultura da Oliveira perde-se nos tempos mais remotos. Segundo a tradição, os Visigodos já a deviam ter herdado dos Romanos sendo que estes, provavelmente, a tinham encontrado na Península Ibérica. Ao longo do período Árabe, a cultura e produção do Azeite manteve-se e prosperou, vindo a própria palavra que utilizamos hoje do arábico al-zait, que significava "sumo de azeitona".
A importância da cultura da Oliveira em Portugal foi sempre mais vincada na zona Sul, devido à sua tardia reconquista aos Árabes. Com efeito, os primeiros forais que se referem à produção olivícola dizem respeito às províncias portuguesas da Extremadura e do Alentejo.
A importância da cultura da Oliveira em termos económicas apenas se afirma a partir do séc. XIII, representando o fabrico do Azeite um elemento importante no comércio externo em Portugal na altura, contribuindo para tornar esta gordura num produto bastante abundante na Idade Média. Posteriormente, o produto é potenciado pelas ordens religiosas que dedicam especial atenção ao fabrico do Azeite. Este "óleo sagrado" constitui-se de uma importância fundamental na economia do Convento de Santa Cruz de Coimbra, do Mosteiro de Alcobaça, da Ordem dos Freires de Cristo, da Ordem do Templo e da Ordem dos Cavaleiros de Nosso Senhor Jesus Cristo. Resistente à seca, de fácil adaptação aos terrenos pedregosos, a oliveira tornou-se numa presença constante na agricultura portuguesa.
O Azeite sempre esteve presente na vida diária dos portugueses. Desde o tempo das candeias, candelabros e iluminações públicas, passando pela “boa mesa” e terminando nas igrejas, parceiro de velhos cultos. Inspirador da sabedoria popular, imortalizou-se também no ditado: “a verdade é como o Azeite, vem sempre ao de cima”…

Adaptado a partir da informação disponível em http://www.casadoazeite.pt/



Com a extinção ou diminuição das actividades mais arcaicas, o Azeite desempenha hoje um papel importante sobretudo na cozinha e no campo da saúde e da beleza. No entanto novas áreas de aplicação surgem, nas quais o sistema olivícola e o próprio azeite podem desempenhar um papel importante, como é o caso do Turismo.

Com efeito, a cultura da oliveira e a produção do Azeite, constituem por si só um património cultural muito próprio da região mediterrânica, em particular de Portugal e em especial do Alentejo. Nesse sentido, o aproveitamento da actividade e da sua produção no panorama turístico é já hoje uma realidade, sendo uma das melhores formas encontradas de potenciar esse aproveitamento a criação de rotas turísticas que promovam o conhecimento e a divulgação deste património. O contacto com a beleza desta paisagem cultural, a observação e a participação no processo do fabrico do azeite e a sua degustação no contexto gastronómico, têm sido as formas mais frequentemente encontradas para potenciar este produto turístico.


Diversas têm sido as entidades, ao longo do País, que têm tentado promover este produto turístico, sendo possível citar a Rota do Azeite de Trás-os-Montes, promovida pela Associação Comercial e Industrial de Mirandela, a Rota do Azeite em Góis, promovida pela empresa Trans Serrano e a Rota do Azeite do Alentejo, promovida pelo Centro de Estudos e Promoção do Azeite Alentejano (CEPAAL).





No caso particular do Alentejo, destacamos naturalmente a actividade do CEPAAL, ainda que por vezes surjam outras iniciativas, como é o caso da Rota do Azeite, passeio pedestre que o GEDA – Grupo de Ecologia e Desportos de Aventura de Campo Maior, promoveu no Inverno de 2007.
Embora no caso do CEPAAL a rota possa ser efectuada também na zona do Norte Alentejano, a actividade parece estar mais desenvolvida e direccionada para a zona do Baixo Alentejo, sobretudo em Moura, Portel, Vidigueira, Cuba, Alvito, Viana do Alentejo, Ferreira do Alentejo ou Beja.

Nessa perspectiva, torna-se pertinente propor uma rota mais abrangente, que possa englobar uma área geográfica mais vasta, estendendo a Rota do Azeite do Alentejo ao longo do território de modo a criar um produto turístico que permita um maior tempo de permanência.

Na região do Norte Alentejano existem algumas estruturas que poderão ser aproveitadas para uma rota, sejam elas lagares tradicionais, como em Castelo de Vide ou no Porto de Espada, bem como outros mais "industrializados", como em Portalegre ou Sousel. É importante desde logo aproveitar o selo de qualidade proporcionado pela Denominação de Origem Protegida "Azeites do Norte Alentejano".
Existem igualmente outras estruturas a aproveitar, nomeadamente o antigo lagar de Portalegre, agora recuperado para a Manufactura das Tapeçarias e com uma pequena musealização dos antigos elementos do lagar e o Lagar-Museu do Palácio Visconde de Olivã em Campo Maior, que poderiam complementar o Museu do Azeite em Moura.

Desse modo, poderia então ser efectuada uma articulação entre os produtores já identificados para a Rota dos Sabores e aqueles constantes da Rota do Azeite do Alentejo, de modo a promover uma Grande Rota do Azeite Alentejano.




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