domingo, 27 de janeiro de 2008

ROTA DO CONTRABANDO



Os velhos trilhos da raia do Alentejo com a Extremadura Espanhola que os homens e mulheres palmilhavam, a coberto da noite, para vender café e atoalhados ou comprar toucinho e bacalhau, ainda estão bem "vivos" na nossa memória colectiva.

Na calada da noite, apenas iluminados pela lua e pelas estrelas, os contrabandistas arriscavam as suas vidas por veredas e ribeiros ou na travessia do Guadiana, para garantir o sustento dos seus. Por esses caminhos contrabandeava-se café, moeda de troca para trazer para o lado de cá os tecidos e objectos de uso pessoal.

As dificuldades económicas, a escassez de produtos e de trabalho e a miragem de “lucro fácil” contribuíram de forma decisiva para que durante décadas cidadãos portugueses e
espanhóis se tenham dedicado a uma actividade de génese ilegal – o Contrabando.

Mas o contrabando não pode ser encarado apenas como actividade económica ilegal. O contrabando foi também meio de aproximação de povos, construtor de solidariedades e elo de ligação entre populações.

Hoje, com a abertura de fronteiras e mercados, o contrabando é apenas a recordação de encontros e desencontros. Todavia muitos dos caminhos utilizados nesta actividade, bem como as localidades que se desenvolveram com essa “prática comercial” são repositório de memórias, saberes e lealdades que podem e devem ser “descobertos”.

Em diferentes pontos do Alentejo, de Nisa a Barrancos, estão assinalados esses percursos e aproveitados para iniciativas visando o reforço das relações entre as populações de um e outro lado da Raia.

Os percursos pedonais, as caminhadas, os passeios utilizando os mais díspares meios de transporte – bicicleta, motos, burro – são já uma prática que envolve Nisa e Cedillo, Arronches e La Codosera, S. Julião e Albuquerque, Campo Maior e Badajoz, Barrancos e Encinasola, etc… etc…

Importa ir mais longe. A criação de uma Rota Turística, envolvendo os habitantes das aldeias fronteiriças e tendo ex-contrabandistas e ex-guardas fiscais a contarem as peripécias à volta do contrabando, potenciará a atracção de turistas, permitirá quer a dinamização da venda dos produtos endógenos, quer a divulgação das riquezas paisagísticas e monumentais da região.

Esta rota permitirá o conhecimento de alguns dos mais pitorescos recantos do Norte Alentejano, mostrar a riqueza gastronómica e os vinhos regionais e propiciará o desenvolvimento local e sustentável.

No distrito de Portalegre ela abrangerá os concelhos de Arronches , Campo Maior, Castelo de Vide, Elvas, Marvão, Nisa e Portalegre.

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